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segunda-feira, 30 de maio de 2011

SweetSharing :: Design Emocional

Um campo recente do design, que veio ganhando espaço é o design emocional.
Caracterizada pelo foco na relação emocional dos usuários com o meio projetado e pelo entendimento de que os produtos podem promover experiências agradáveis e evocar sentimentos positivos.

Em resposta ao design do dia-dia, muito funcional e automático, o design emocional traz pequenas alegrias e provoca sensações que fazem os momentos do usuário mais feliz.

Vem acompanhado de uma tendência mundial em que as pessoas buscam fantasias, válvulas de escapes diárias e permissões de terem pequenos prazeres, para compensar os dias cheios e estressantes.

O livro "Design Emocional - Por que adoramos (ou detestamos) os Objetos do Dia-a-Dia" de um professor norte-americano, Donald Norman, chama a atenção para a estética e as emoções despertadas por um produto e que desempenham um papel fortíssimo no processo de tomada de decisão do consumidor.
O design emocional pretende associar a estética à funcionalidade e assim conceber um produto que apele às emoções subjetivas do consumidor.

Segundo o autor, existem, a nível do cérebro, três níveis diferentes que necessitam de diferentes estímulos ao nível do design, o que resultou na divisão do design emocional em 3 áreas de atuação distintas:
o design visceral, design comportamental e design reflexivo

O design visceral tem como base a aparência do objeto, a sua estética e, consequentemente, pretende despertar no consumidor um impacto emocional e instintivo, desencadeando dessa forma uma ação correspondente.

O design comportamental foca-se na experiência do utilizador com o produto, bem como na usabilidade e performance oferecida pelo produto. O enfoque no design comportamental é dado à averiguação das necessidades do consumidor.

O design reflexivo relaciona-se com o significado do produto e da sua utilização.


"Norman começa apresentando a própria coleção de bules de chá, que mantém à mostra na cozinha de casa. São três peças, bem diferentes umas das outras e com variadas maneiras de ser usadas. A partir da história de cada um dos bules - um deles até ilustrou a capa de O design do dia-a-dia, lançado no Brasil pela Rocco -, o professor começa a introduzir os conceitos dos três tipos de design abordados ao longo de Design Emocional: o visceral, o comportamental e o reflexivo.

Enquanto relaciona o design visceral ao prazer, às reações iniciais e espontâneas, Norman liga o design comportamental à funcionalidade, ao resultado do uso. Nesse caso a satisfação está ligada ao desempenho do produto e Norman, especialista em usabilidade, critica os designers que nem sempre estão preocupados com o que o usuário necessita. Em relação ao design reflexivo, o autor escreve que tudo nele diz respeito à mensagem, ao significado do produto em uso, às lembranças que evoca.

Por meio dessas três idéias, o escritor esmiúça a questão principal do livro: o design emocional - oferecendo uma base teórica e mostrando-o também na prática. Para deixar tudo bem claro, as experiências e as conclusões apresentadas são baseadas em exemplos que realmente fazer parte do dia-a-dia da maioria das pessoas, como a interação com computadores, a produção e o uso de fotografias e os objetos comprados em viagens, apenas para citar alguns.

O autor explora também campos diretamente ligados à emoção e toca em questões contemporâneas que servem muito bem para ilustrar a questão do design emocional, como a diversão, as brincadeiras, os games. Norman dedica ainda uma parte do livro à analise das máquinas emocionais e ao futuro dos robôs, assuntos que ainda vão render muitos estudos num futuro não tão distante.”
Fonte: Submarino



Após compartilharmos memórias das roupas, no último sweet sharing, e a visão que um objeto teria e quanta história ele teria para contar, podemos perceber que os objetos fazem parte do que somos e atrelados a eles estão muitas emoções misturadas a sensações que nos confrontam todos os dias. Poderiamos resumir em "design dos sentidos" o que certos objetos nos causam.
Longe de ser materialista e apegada a isso, não defendo que nos apeguemos aos objetos. Isso é inevitável.
Eu me lembro da minha avó falar várias vezes quando olhava para uma fruteira suja e deixada de lado no contexto da decoração: "ah coitadinha da fruteira, está tão maltratada e escondidinha" ou então nossos sentimentos diante de uma bonequinha, quando crianças - acreditávamos que ela podia sentir e por pouco quase falar também.
O design emocional faz girar a roda consumista quando um comprador se aproxima de uma vitrine e acha "fofo" algum objeto de design que talvez tenha cores que remetam a sua infância, textura agradável e formas graciosas. A memória dele num instante associa a coisas boas e deseja ter.


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